20 ANOS SEM O "CORAÇÃO" DO RIO GRANDE
04 de Dezembro de 2005

 

 

20 ANOS SEM O "CORAÇÃO" DO RIO GRANDE

 

Neste domingo faz 20 anos que o Rio Grande do Sul perdeu o seu mais célebre artista: Vitor Mateus Teixeira, o Teixeirinha. Conhecido pela música Coração de Luto – que desde 1960 até hoje vendeu 25 milhões de cópias, a única no mundo mais comercializada, superando cantores como Michael Jackson e Julio Iglesias –, ele foi detentor de nove Discos de Ouro e vários títulos de cidadadão emérito. Realizou 15 apresentações nos Estados Unidos em 1973 e 18 no Canadá, em 1975. Gravou 49 LPs inéditos, incluindo mais de 70 LPs com regravações, tendo registrado mais de 700 canções de sua autoria, além de um acervo superior a 1.200 composições feitas por ele.

Teixeirinha nasceu em 3 de março de 1927, no distrito de Mascaradas, em Rolante (RS). Filho de Saturno Teixeira e de Ledurina Mateus Teixeira, Vitor teve um irmão e duas irmãs. Seu pai era carreteiro e faleceu quando o menino tinha apenas seis anos; e sua mãe morreu queimada no fogo – aos 28 anos, durante crise epilética, caiu em uma fogueira – quando Teixeirinha tinha apenas nove anos. A trágica morte de sua genitora inspirou o maior sucesso de toda sua carreira de cantor e compositor.


Teixeirinha e Mary Terezinha

 



Órfão, decidiu sair pelo mundo, pois seus parentes não tinham condições de sustentá-lo. Parou em Porto Alegre, onde foi carregador de malas; vendedor de doces, verduras e jornais; e entregador de viandas. Dormiu diversas vezes ao relento, ao mesmo tempo em que aprendia sozinho, e de ouvido, a tocar violão.

Aos 18 anos foi trabalhar no Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), decidindo “botar o pé na estrada”. Foi então que começou a tentar a carreira artística cantando em rádios de Lajeado, Estrela, Rio Pardo e Santa Cruz do Sul. E foi aqui que conheceu Zoraida Lima Teixeira, com quem se casou em 1957 e teve seis de seus nove filhos: Sirley Marisa, Líria Luisa, Victor Filho, Margareth, Elizabeth, Fátima Lisete, Márcia Bernadeth, Alexandre e Liane Ledurina. Em 59, gravou seu primeiro compacto com as músicas Xote Soledade e Briga no Batizado. Em 60, registrava o quarto disco, com o xote Gaúcho de Passo Fundo e a toada-milonga Coração de Luto, gravada em 21 idiomas. A história verídica da mãe lhe rendeu um trabalho em São Paulo/SP.

Com a renda da turnê, comprou uma casa em Porto Alegre, para onde se mudou com a família. Também assumiu a carreira artística, passando a trabalhar em circos, parques, teatros, cinemas e demais casas de espetáculos. Graças ao sucesso de Coração de Luto, Teixeirinha viajou por todo o Brasil, já conhecido como o Gaúcho Coração do Rio Grande.

MARY – Em 1961, durante um show na cidade de Bagé, conheceu Mary Terezinha, uma adolescente de 14 anos que tocava todas as suas músicas no acordeão. Teve início, então, uma parceria que “extrapolou os palcos”. Mary Terezinha acompanhou Teixeirinha durante 22 anos com o acordeão em shows, no rádio e também no cinema.

Em 1963, ganhou o troféu Chico Viola, na TV Record. Em Portugal, foi agraciado com o Elefante de Ouro pela maior vendagem de discos naquele país. Também fez sucesso no cinema, a partir de 1964, com o filme Coração de Luto, um recorde de bilheteria produzido pela Leopoldis Som e dirigido por Eduardo Llorente, em 1966. Em 69, participou do filme Motorista sem Limites (de Milton Barragan) e, em 70, criou sua própria produtora, a Teixeirinha Produções Artísticas Ltda. Com a empresa escreveu, produziu e distribuiu mais dez longas, mais tarde indo à falência.

Na Rádio Farroupilha de Porto Alegre comandou os programas Teixeirinha Amanhece Cantando e Teixeirinha Comanda o Espetáculo, além de Teixeirinha Canta Para o Brasil. Em 1983, Mary Terezinha se separou de Teixeirinha. Ao que consta, tal rompimento o abalou de tal modo que ele veio a sofrer um infarto em 84. E, em 89, ela escreveu Agora Eu Falo, livro no qual relata sua atribulada relação amorosa com o cantor. Solitário, vitimado pelo câncer, Teixeirinha morreu no dia 4 de dezembro de 1985. Mais de 50 mil pessoas acompanharam o cortejo fúnebre até o Cemitério da Irmandade Santa Casa de Misericórdia, na capital gaúcha, onde seu corpo se encontra sepultado na Quadra Nº 4, Túmulo Nº 4.

(Maíra Assmann - "Magazine", Memória, Jornal Gazeta do Sul, n. 267, 3-4 Dez 2005 - Santa Cruz do Sul-RS).

Fonte: http://groups.msn.com/ontg/general.msnw?action=get_message&mview=0&ID_Message=35